Em matéria do Jornal Opção, vice-coordenadora do Núcleo UFG 60+ destaca impacto das desigualdades no envelhecimento
Professora Valéria Pagotto abordou como condições sociais e de saúde acumuladas ao longo da vida podem contribuir para a perda precoce da capacidade funcional
A vice-coordenadora do Núcleo Interdisciplinar em Envelhecimento da UFG (UFG 60+), professora Valéria Pagotto, participou da matéria publicada pelo Jornal Opção sobre os impactos das desigualdades na forma como a população brasileira envelhece.

A matéria apresenta resultados de um estudo publicado na revista científica PLOS One, segundo o qual brasileiros com 50 anos ou mais apresentam níveis de desempenho funcional semelhantes aos observados em europeus aproximadamente dez anos mais velhos, especialmente em atividades instrumentais da vida diária. O resultado não significa que brasileiros envelheçam biologicamente dez anos mais rápido, mas evidencia diferenças relacionadas às condições em que as populações chegam às idades mais avançadas.
Na reportagem, Valéria Pagotto destaca que a idade cronológica, isoladamente, não é suficiente para explicar o processo de envelhecimento. Fatores sociais e econômicos acumulados durante toda a trajetória de vida podem influenciar diretamente a saúde, a autonomia e a capacidade funcional na velhice: "Pessoas expostas, ao longo de suas vidas, a fatores como menor escolaridade, baixa renda, piores condições de moradia e acesso limitado aos serviços de saúde tendem a acumular mais fatores de risco e doenças crônicas, resultando em perda funcional mais precoce", explica a professora.
Segundo ela, essas desigualdades também estão relacionadas ao surgimento mais precoce de doenças crônicas e, consequentemente, à necessidade antecipada de estruturas de apoio e cuidados. Nesse sentido, compreender como a população brasileira envelhece exige considerar não apenas escolhas individuais, mas também as condições sociais, econômicas e de acesso à saúde presentes ao longo da vida.
Para Valéria Pagotto, os resultados apresentados pelo estudo representam um alerta para o país. Diante do avanço da longevidade da população brasileira, o desafio não se restringe ao aumento da expectativa de vida, mas envolve garantir que os anos adicionais sejam vividos com maior independência, autonomia e qualidade de vida.
A reportagem também aborda a importância da atividade física, da prevenção e da manutenção dos vínculos sociais e familiares para um envelhecimento saudável.
Fonte: UFG 60+

